Da pobreza…

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

(Manuel Bandeira)

Pobreza… Se parar para pensar, é difícil falar sobre a pobreza, definí-la. Nas minhas aulas de geografia no terceiro ano do ensino médio, minha professora ensinou-nos um pouco sobre a pobreza, sempre dizia: “miserável é aquele que (sobre)vive com menos de um dólar por dia”.

Não discordo, estas pessoas estão pobres, mas existe também a pobreza de espírito, que muito influencia na pobreza material. Pessoas que passam por cima de outras para alcançarem seus objetivos, pessoas que traem seus supostos amigos, pessoas que acreditam que são mais que outras: essas pessoas são pobres.

Não vou ser hipócrita e falar que falta de dinheiro não é tão ruim assim: é horrível! Mas admiro quando uma pessoa troca um emprego que daria mais dinheiro a ela, por outro que permite que ela tenha o conforto que precisa, ficar mais perto da familia, poder viajar, ver quem se gosta. O dinheiro compra muitas coisas, mas uma amizade verdadeira…

Depois de apresentado os dois tipos de pobreza, vamos voltar para a pobreza material que acredito que seja o que tenha sido proposto pelos organizadores do Blog Action Day.

Quem me conhece sabe: sou contra o assistencialismo, então não dou esmola aos que passam na rua e pedem.

Pode parecer meio ruim da minha parte, à primeira vista, mas digo que não é que eu “não goste de ajudar”, na verdade eu adoro ajudar e participo de projetos sociais sempre que possível: participei dos Vagalumes de João Pessoa, no qual fui um dos malabaristas do grupo (por pouco tempo, já que não me adaptei muito ao grupo e aí resolvi sair) e também participo do Projeto Leitura e Arte, grupo que objetiva a inclusão cultural de frequentadores de instituições de auxílio às pessoas carentes (no momento não fazemos com quem não esteja em instituições pois não temos espaço para realizar as atividades), este atualmente não está em nenhuma instiruição, mas acredito que em breve estaremos entrando em contato com outro lugar para ajudarmos cada vez mais pessoas.

Então, na minha visão, dar esmola não resolve! Temos que ajudar a combater a pobreza, de forma que não precisemos dar esmolas, e sim cultura para que quem é pobre hoje possa ter chances de conseguir ganhar dinheiro por si mesmo amanhã, e não ter que ficar pedindo dinheiro hoje, amanhã e depois.

E não faremos o bem somente a quem ajudamos, mas a nós mesmos também, e isto é exatamente uma das coisas que venho querendo escrever há um tempo aqui: ajudar as pessoas faz muito bem e aumenta a motivação das pessoas, então é ótimo para ser feito com funcionários de empresas em alguma(s) comunidade(s) carente(s).

Mas não só empresas, qualquer um pode ajudar outras pessoas: forme um grupo e vá tentar ajudar alguma ong (para ongs sérias precisa-se de um projeto, mas nada que seja impossível de se fazer) ou comunidade carente. Se não conseguir formar um grupo, você também pode ser voluntário em alguma instituição sem fins lucrativos sem medo de perder seus compromissos: as OSFLs deixam vocês bem livres para escolherem o que querem fazer.

Talvez você esteja se perguntando: mas por que eu gastaria o meu tempo livre ajudando as pessoas? A resposta é muito simples: ajudar faz bem!

Projetar o Leitura e Arte e correr atras de alguma instituição séria que nos aceitasse deu trabalho, foi desgastante e tudo o mais, mas quem fez o trabalho com as crianças, depois, sentiu o quão bom é ajudar. Digo quem entrou em contato depois porque a instituição não deixou todo o grupo ir junto (eram 10 pessoas e somente duas podiam ir a cada semana, sendo que dessas duas, uma deveria ser fixa e outra poderia mudar, sim, mas não era aconselhado, o que fez com que apenas quatro das dez pessoas pudessem entrar em contato com as crianças).

Então fica minha dica: ajude! Mesmo que não se comprometa com grupos e organizações, ajude quem você conseguir. As vezes apenas uma conversa, um abraço ou um “bom dia” pode fazer o dia de uma pessoa melhor e, consequentemente, o seu também.

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